A prótese peniana é considerada, segundo o Portal da Urologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), o tratamento de terceira linha da disfunção erétil — ou seja, indicado quando medicamentos orais, injeções e outros tratamentos conservadores não trazem resposta satisfatória. Ainda assim, é um dos temas mais cercados de dúvidas e mitos na urologia, especialmente sobre os tipos disponíveis e o que muda entre eles.
Existem, basicamente, dois grandes grupos de prótese peniana: a maleável (ou semirrígida) e a inflável (ou hidráulica), que se subdivide em modelo de 2 volumes e de 3 volumes. A maleável consiste em duas hastes de silicone com uma cordoalha metálica interna, dobráveis manualmente, sem partes móveis. Já a inflável usa cilindros implantados no pênis, uma bomba na bolsa escrotal e um reservatório de soro fisiológico — que fica na base dos cilindros no modelo de 2 volumes, ou separado, geralmente no abdômen, no modelo de 3 volumes. A escolha depende de fatores como destreza manual do paciente, anatomia, expectativa de naturalidade e orientação do urologista. Segundo a SBU, o grau de satisfação com o procedimento gira em torno de 90%.
O que é a prótese peniana e quando é indicada
Definição e como funciona
A prótese peniana é um dispositivo cilíndrico implantado cirurgicamente dentro dos dois corpos cavernosos do pênis, com o objetivo de proporcionar rigidez suficiente para a relação sexual. Segundo a SBU, tanto o modelo maleável quanto o inflável são eficazes em restaurar a rigidez peniana necessária para o ato sexual.
Prótese peniana como tratamento de terceira linha
A cirurgia de prótese peniana só é indicada nos casos de disfunção erétil de origem orgânica sem resposta satisfatória ao tratamento conservador — ou seja, depois de medicamentos orais (primeira linha) e injeções intracavernosas ou outros métodos (segunda linha) não funcionarem, segundo o Portal da Urologia da SBU. É um procedimento irreversível, por isso a indicação exige avaliação criteriosa.
Quando os tratamentos anteriores não funcionam
O implante costuma ser considerado quando a disfunção erétil é grave, persistente e comprovadamente sem resposta a outras abordagens. A decisão é sempre conjunta entre paciente e urologista, com esclarecimento prévio sobre expectativas realistas de resultado.
Causas de disfunção erétil que podem levar à indicação
Diabetes e doenças vasculares
Diabetes mellitus e arteriosclerose estão entre as causas orgânicas mais comuns de disfunção erétil refratária, segundo a SBU, por comprometerem a circulação sanguínea necessária para a ereção.
Prostatectomia e radioterapia da próstata
A prostatectomia radical (retirada cirúrgica da próstata no tratamento do câncer) e a radioterapia da próstata também estão entre as causas mais frequentes de disfunção erétil orgânica grave que podem levar à indicação de prótese, de acordo com a SBU.
Lesões neurológicas e traumas pélvicos
Lesões raquimedulares e traumatismos graves da bacia completam a lista das causas orgânicas mais associadas à indicação de prótese peniana, segundo a mesma fonte.
Disfunção erétil associada à doença de Peyronie
Quando a doença de Peyronie cursa junto com disfunção erétil refratária, a prótese peniana pode tratar os dois problemas na mesma cirurgia — combinando o implante com técnicas para corrigir a curvatura, como plicatura, incisão de placas ou enxerto de túnica albugínea, conforme a SBU.
Tipos de prótese peniana: maleável, inflável de 2 e de 3 volumes
Prótese maleável (semirrígida)
A prótese maleável é composta por duas hastes de silicone com uma cordoalha metálica interna, que permite dobrar o pênis manualmente para a posição desejada — ereta para a relação sexual ou discreta sob a roupa. É o modelo mais simples, com menos partes móveis, geralmente mais barato e com menor chance de falha mecânica, mas mantém o pênis sempre semirrígido.
Prótese inflável de 2 volumes
Na prótese inflável de 2 volumes, o reservatório de soro fisiológico fica localizado na própria base dos cilindros implantados no pênis, junto com a bomba na bolsa escrotal. O paciente aciona a bomba manualmente para transferir o líquido aos cilindros, criando a rigidez, e pode desativar o dispositivo após o uso, retornando à flacidez.
Prótese inflável de 3 volumes
Já a prótese inflável de 3 volumes tem um reservatório de soro fisiológico separado dos cilindros, geralmente posicionado na região abdominal, além dos mesmos dois componentes (cilindros e bomba escrotal). Por armazenar mais líquido de forma independente, é considerada a mais fisiológica, reproduzindo de forma mais próxima os estados de flacidez e rigidez.
| Modelo | Componentes | Reservatório | Característica principal |
| Maleável (semirrígida) | Duas hastes de silicone com cordoalha metálica | Não possui | Sem partes móveis; ereção semirrígida permanente e dobrável |
| Inflável de 2 volumes | Cilindros + bomba escrotal | Na base dos cilindros | Permite flacidez e rigidez sob comando |
| Inflável de 3 volumes | Cilindros + bomba escrotal + reservatório separado | Reservatório independente, geralmente abdominal | Considerada a mais fisiológica |
Como escolher entre os modelos
Segundo a SBU, as próteses infláveis são consideradas mais fisiológicas, mas têm índice de falha do mecanismo hidráulico em torno de 10% e custo de 10 a 20 vezes maior que o modelo maleável. A maleável costuma ser mais indicada para pacientes com limitações físicas ou destreza manual reduzida, já que não exige acionamento de bomba. A escolha final deve considerar custo, expectativa de naturalidade, destreza manual e orientação do urologista.
Como é feita a cirurgia de implante
Preparo pré-operatório
A cirurgia envolve preparo pré-operatório específico, incluindo escolha criteriosa de antibióticos para profilaxia de infecção — uma das etapas mais importantes, segundo a SBU, já que a infecção é a principal complicação do procedimento.
Etapas da cirurgia
De acordo com o Portal da Urologia, as etapas principais incluem: anestesia, escolha da via de acesso cirúrgico, abertura dos corpos cavernosos (corporotomia), dilatação e mensuração das câmaras eréteis, preparo e implante das próteses, revisão cirúrgica e fechamento das incisões.
Situações que exigem técnica adicional
Em casos de fibrose da túnica albugínea, encurtamento, deformidade ou curvatura peniana associados — como na doença de Peyronie —, pode ser necessário adicionar plicatura, excisão ou incisão de fibroses e enxertos de túnica albugínea durante o mesmo procedimento, segundo a SBU.
Tipo de anestesia e tempo de internação
O procedimento é realizado sob anestesia (geral ou locorregional, conforme avaliação anestésica) e costuma exigir um período curto de internação hospitalar para observação inicial.
Recuperação após a cirurgia
Primeiros dias após o implante
Nos primeiros dias, é esperado dor e inchaço local, que tendem a diminuir já na primeira semana após a cirurgia, segundo a Cleveland Clinic. O retorno às atividades leves do dia a dia costuma ser gradual, evitando esforço físico intenso.
Quando o dispositivo pode ser ativado
No caso das próteses infláveis, o paciente recebe treinamento sobre como inflar e desinflar o dispositivo em uma consulta de acompanhamento, geralmente antes da liberação para uso sexual — etapa importante para o uso correto do mecanismo.
Retorno às atividades e à vida sexual
A cicatrização completa costuma levar entre 4 e 6 semanas, segundo a Cleveland Clinic, período em que se recomenda evitar levantamento de peso e exercícios intensos. O retorno à atividade sexual com uso da prótese normalmente é liberado somente após a avaliação de acompanhamento ao final desse período.
Cuidados de longo prazo
Após a liberação, recomenda-se acompanhamento urológico periódico para monitorar o funcionamento do dispositivo e identificar precocemente eventuais sinais de complicações, como dor persistente, vermelhidão ou alteração no funcionamento do mecanismo.
Resultados, satisfação e riscos
Taxa de satisfação dos pacientes
O grau de satisfação com a prótese peniana é considerado alto: cerca de 90%, segundo a SBU. Estudos publicados em bases científicas internacionais também apontam que cerca de 90% dos pacientes repetiriam o procedimento, com taxas de satisfação de aproximadamente 73% entre pacientes e 59% entre parceiros em um dos estudos analisados.
Durabilidade e falhas mecânicas
A sobrevida do mecanismo das próteses infláveis é estimada em cerca de 90,8% em 5 anos e 85% em 10 anos, segundo estudos publicados na literatura científica internacional. A falha mecânica mais comum é a perda de fluido do sistema, o que geralmente exige revisão cirúrgica.
Principais complicações
A infecção é apontada como a principal complicação da cirurgia, com taxas relatadas entre 0,8% (em uma série de 955 procedimentos) e cerca de 4% (segundo a SBU) — a variação reflete diferentes populações estudadas e o uso de próteses com revestimento antibiótico, que reduziu a incidência nos últimos anos. Outras complicações possíveis incluem perfuração dos corpos cavernosos, erosão ou extrusão da prótese e alteração na sensibilidade da glande.
Impacto no comprimento peniano
Segundo a SBU, a principal queixa entre os pacientes insatisfeitos é a percepção de diminuição do comprimento peniano após a cirurgia — por isso o esclarecimento prévio sobre expectativas realistas é considerado essencial antes do procedimento.
Conclusão
A prótese peniana é uma solução eficaz para casos de disfunção erétil que não respondem a outros tratamentos, com alto índice de satisfação relatado na literatura médica. A escolha entre os modelos — maleável, inflável de 2 ou de 3 volumes — depende de fatores individuais que só um urologista pode avaliar com segurança. Diante da disfunção erétil persistente, o primeiro passo é sempre uma consulta especializada para entender todas as opções de tratamento disponíveis.
FAQ – Perguntas Frequentes sobre prótese peniana
A prótese peniana é indicada para qualquer disfunção erétil?
Não. É indicada apenas em casos de disfunção erétil orgânica sem resposta satisfatória a tratamentos conservadores, como medicamentos orais e injeções, sendo considerada tratamento de terceira linha.
Qual a diferença entre prótese maleável e inflável?
A maleável tem hastes dobráveis manualmente, sem partes móveis. A inflável usa cilindros, bomba e reservatório de soro fisiológico, permitindo alternar entre flacidez e rigidez sob comando.
O que muda entre a prótese inflável de 2 e de 3 volumes?
Na de 2 volumes, o reservatório fica na base dos cilindros. Na de 3 volumes, o reservatório é separado, geralmente no abdômen, o que é considerado mais fisiológico.
A prótese peniana pode corrigir a curvatura da doença de Peyronie?
Sim. Quando há disfunção erétil associada à doença de Peyronie, o implante pode ser combinado com técnicas de correção da curvatura, como plicatura ou enxerto, na mesma cirurgia.
Quanto tempo dura a recuperação da cirurgia de prótese peniana?
A cicatrização costuma levar de 4 a 6 semanas, com liberação para atividade sexual normalmente após esse período, conforme avaliação médica de acompanhamento.
A prótese peniana tem risco de infecção?
Sim, é a principal complicação do procedimento, com taxas relatadas entre 0,8% e 4% conforme o estudo. O uso de próteses com revestimento antibiótico tem reduzido esse risco nos últimos anos.


