Dr. Ari Miotto Junior - Urologista em Campo Grande MS especialista em Fertilidade Masculina

Doença de Peyronie: causas, sintomas, diagnóstico e tratamentos

Doença de Peyronie causas, sintomas, diagnóstico e tratamentos
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A doença de Peyronie afeta cerca de 10% dos homens no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo (SBU-SP) — com estimativas na literatura que variam de 0,5% a 20,3% conforme a população estudada, sendo mais frequente entre homens acima de 40 anos, diabéticos ou com disfunção erétil. Ainda assim, é um tema pouco discutido, o que atrasa o diagnóstico e o início do tratamento.

A doença de Peyronie é a formação de uma placa fibrosa na túnica albugínea — a camada que envolve os corpos cavernosos do pênis — causada por cicatrização desorganizada após microtraumas. Essa placa reduz a elasticidade do tecido em um ponto específico, provocando curvatura peniana durante a ereção, dor (mais comum na fase inicial) e, em muitos casos, encurtamento do órgão. A doença evolui em duas fases: uma fase aguda, inflamatória, que dura entre 6 e 18 meses, e uma fase crônica, quando a placa endurece e a curvatura se estabiliza. O tratamento muda conforme a fase — da conduta medicamentosa e conservadora na fase aguda até opções cirúrgicas na fase crônica, quando há impacto funcional relevante e a doença já não está mais progredindo.

O que é doença de Peyronie

Definição da doença de Peyronie

A doença de Peyronie é uma condição adquirida caracterizada pela formação de tecido cicatricial (placa fibrosa) na túnica albugínea peniana. Segundo a SBU-SP, ela provoca dor, deformidade, dificuldade erétil e de penetração durante o ato sexual, ocorrendo geralmente em homens acima dos 40 anos.

Como a fibrose altera a anatomia do pênis

A fibrose peniana reduz a capacidade de expansão do tecido no local da placa durante a ereção. Como o restante da túnica albugínea continua a se expandir normalmente, o pênis se curva na direção da área fibrosa. Dependendo da localização e do tamanho da placa, isso pode gerar não só curvatura, mas também estreitamento ou a chamada deformidade em ampulheta.

Diferença entre curvatura congênita e doença de Peyronie

A curvatura peniana congênita é uma condição rara (menos de 1% dos homens), presente desde o nascimento, decorrente de diferenças na elasticidade dos tecidos do pênis desde a formação — e não causa dor. Já a doença de Peyronie é adquirida, surge geralmente entre os 40 e 60 anos, e está associada a dor, deformidade progressiva e possível encurtamento peniano, conforme a SBU-SP.

Principais causas e fatores de risco

Relação entre microtraumas e formação de placas

A causa mais aceita envolve microtraumas penianos repetidos — pequenas lesões na túnica albugínea durante a relação sexual ou atividade física — que desencadeiam um processo de cicatrização anormal. Em vez de cicatrizar de forma organizada, o tecido forma uma placa densa e menos elástica.

Fatores associados à cicatrização inadequada

Nem todo homem que sofre um microtrauma peniano desenvolve a doença. Acredita-se que fatores individuais de cicatrização e resposta inflamatória — incluindo uma possível predisposição genética — influenciam por que alguns homens formam tecido cicatricial excessivo e outros não.

Condições que podem estar relacionadas à doença de Peyronie

A doença de Peyronie compartilha características com outras condições de tecido conjuntivo, como a contratura de Dupuytren (fibrose na palma da mão), o que sugere uma predisposição comum à fibrose. Diabetes mellitus e disfunção erétil também estão associados a maior prevalência da doença, segundo a SBU-SP.

Idade e risco de desenvolvimento da doença

A doença de Peyronie afeta predominantemente homens acima de 40 anos, com pico de início relatado entre os 50 e 60 anos. Por isso a SBU-SP recomenda avaliação urológica regular a partir dos 45 anos.

Sintomas da doença de Peyronie

Curvatura peniana durante a ereção

O sintoma mais característico é a curvatura durante a ereção, que pode ocorrer para cima, para baixo ou lateralmente, dependendo de onde a placa fibrosa se formou.

Dor no pênis na fase inicial

A dor peniana é comum na fase inicial (inflamatória) da doença, tanto durante a ereção quanto, às vezes, em repouso. Na maioria dos casos, essa dor tende a desaparecer com o tempo, mesmo que a curvatura permaneça.

Dificuldade de penetração e impacto sexual

Segundo a SBU-SP, a ereção costuma permanecer firme o suficiente para a relação sexual, mas a curvatura pode dificultar ou impedir a penetração, gerando desconforto para o casal.

Alterações no comprimento e formato do pênis

Além da curvatura, é comum haver encurtamento peniano e, em alguns casos, a deformidade em ampulheta — um estreitamento localizado no ponto da placa. A disfunção erétil também pode estar presente, seja por comprometimento vascular local, seja por fatores psicológicos associados à condição.

Fases da doença de Peyronie

Fase inicial ou inflamatória

A fase aguda dura, em média, de 6 a 18 meses. É marcada por dor durante a ereção (e às vezes em repouso), progressão da curvatura e formação ativa da placa fibrosa. A dor tende a desaparecer na maioria dos casos dentro desse período, mesmo com a curvatura ainda evoluindo.

Fase estável ou crônica

Na fase crônica, a placa já está formada e endurecida, e a estabilização da curvatura costuma ocorrer — a dor se torna rara. Os sintomas residuais mais comuns nessa fase são a curvatura peniana persistente, a disfunção erétil e o possível encurtamento peniano.

CaracterísticaFase aguda (inflamatória)Fase crônica (estável)
Duração6 a 18 mesesA partir de 12-18 meses do início dos sintomas
DorComum, na ereção ou repousoRara
CurvaturaEm progressãoEstabilizada
Conduta preferencialConservadoraPode incluir cirurgia

Como saber se a curvatura parou de evoluir

A estabilização costuma ser identificada quando não há mudança no grau de curvatura nem na dor por um período de observação (geralmente alguns meses), avaliado pelo urologista em consultas de acompanhamento.

Por que a fase da doença influencia o tratamento

Segundo a Cleveland Clinic, a cirurgia deve ser evitada durante a fase aguda, porque o risco de recidiva ou progressão da deformidade nessa fase pode comprometer o resultado do procedimento. Por isso, a indicação cirúrgica é reservada para a fase crônica, quando a doença já está estável.

Como é feito o diagnóstico da doença de Peyronie

Consulta com urologista

O diagnóstico começa com uma avaliação urológica detalhada: histórico da deformidade, impacto na relação sexual, dor peniana e nível de desconforto, além do exame físico do pênis flácido, com estiramento e palpação.

Identificação das placas penianas

Durante o exame físico, o urologista busca identificar placas palpáveis ao longo do corpo peniano, que ajudam a localizar a origem da curvatura.

Papel das fotos da ereção na avaliação médica

Como a curvatura só é totalmente visível durante a ereção, fotos da ereção tiradas pelo próprio paciente em casa podem complementar a avaliação clínica, auxiliando o urologista a compreender o grau e a direção da curvatura antes da consulta.

Quando o ultrassom peniano pode ser indicado

Antes de qualquer tratamento invasivo, a diretriz da American Urological Association (AUA) recomenda um teste em consultório com injeção intracavernosa (que induz a ereção), podendo ser associado ao ultrassom peniano com Doppler. Esse exame permite medir o tamanho e a densidade da placa, diferenciar placas calcificadas de não calcificadas e avaliar a integridade vascular do pênis.

Tratamentos para doença de Peyronie

Tratamento na fase inicial

Na fase aguda, o tratamento conservador costuma incluir anti-inflamatórios e analgésicos orais para controle da dor. Segundo a SBU-SP, essas medicações têm eficácia limitada para reverter a deformidade, mas ajudam no controle dos sintomas enquanto a doença ainda está evoluindo.

Medicamentos e terapias não cirúrgicas

A terapia medicamentosa mais estudada atualmente é a injeção intralesional de colagenase (collagenase clostridium histolyticum). Segundo a diretriz da AUA, ela é indicada para homens com doença estável, curvatura entre 30° e 90° e função erétil preservada. Em um ano de acompanhamento, estudos mostraram redução média de 17° na curvatura com colagenase, contra 9,3° no grupo placebo — um resultado modesto, mas mensurável, com risco de efeitos adversos como equimose, inchaço, dor e, raramente, ruptura dos corpos cavernosos.

Dispositivos de tração peniana

Os dispositivos de tração peniana e o uso de bomba de vácuo são classificados pela AUA como terapias “possivelmente promissoras”, ainda com necessidade de mais estudos que confirmem os resultados — costumam ser usados isoladamente ou em conjunto com a colagenase.

Quando apenas acompanhar pode ser uma opção

Em casos de curvatura leve, sem prejuízo funcional relevante, ou ainda na fase aguda sem sintomas incapacitantes, o acompanhamento clínico pode ser a conduta inicial mais adequada, já que a evolução da doença ainda não se estabilizou.

Cirurgia para doença de Peyronie

Quando a cirurgia pode ser indicada

A correção cirúrgica costuma ser considerada quando a doença já está estável (fase crônica) e há prejuízo funcional relevante — dificuldade de penetração, dor durante a relação ou impacto significativo na vida sexual — mesmo após tratamentos conservadores.

Diferença entre plicatura, enxerto e prótese peniana

TécnicaComo funcionaIndicação típica
Plicatura penianaEncurta o lado oposto à curvatura, sem remover a placaCurvaturas menos graves, com boa função erétil
Enxerto penianoRemove ou incisa a placa e insere um enxerto de tecido no espaçoCurvaturas mais graves, com função erétil preservada
Prótese penianaImplante que trata simultaneamente a curvatura e a disfunção erétilHomens com curvatura associada a disfunção erétil

A plicatura não corrige a disfunção erétil — por isso só é indicada quando a ereção já é satisfatória. O enxerto peniano pode, em alguns casos, piorar a função erétil ou causar disfunção erétil. Já a prótese peniana pode corrigir a curvatura em cerca de 70% dos casos quando associada à disfunção erétil, segundo a SBU-SP.

Critérios para escolher a técnica cirúrgica

A escolha considera, principalmente, a gravidade da curvatura, o comprimento peniano, a função erétil de base e o nível de invasividade que o paciente aceita — critérios também destacados pela Mayo Clinic na definição do tratamento mais adequado para cada caso.

Cuidados antes e depois da cirurgia

A cirurgia só é indicada com a doença estabilizada (fase crônica), critério reforçado pela diretriz da AUA para reduzir o risco de resultado insatisfatório. O acompanhamento urológico no pós-operatório é importante para monitorar cicatrização, função erétil e eventual necessidade de reabilitação.

Impacto na vida sexual e emocional

Como a doença pode afetar a confiança do homem

Revisões publicadas em periódicos científicos mostram que a doença de Peyronie tem impacto emocional relevante: até 81% dos homens relatam dificuldades emocionais, e cerca de 48% apresentam depressão clinicamente significativa (26% moderada, 21% grave). A autoestima masculina costuma ser diretamente afetada pela mudança na aparência e na função sexual.

Conversa com a parceira ou parceiro

O impacto não se limita ao paciente: mais da metade dos homens (54%) relatam problemas de relacionamento associados à doença, segundo as mesmas revisões. Conversar abertamente com a parceira ou parceiro e buscar orientação profissional ajuda a reduzir o isolamento e a ansiedade em torno do tema.

Relação entre Peyronie e disfunção erétil

A disfunção erétil pode ocorrer tanto por fatores mecânicos (comprometimento vascular relacionado à placa) quanto por disfunção erétil psicogênica, ligada à ansiedade e à insegurança geradas pela própria doença. Por isso, a avaliação da função erétil faz parte do diagnóstico e da decisão de tratamento, conforme a diretriz da AUA.

Importância do acompanhamento especializado

Diante dos números de impacto psicológico, a literatura científica recomenda que o suporte psicológico faça parte do plano de tratamento da doença de Peyronie, junto ao acompanhamento urológico, para melhorar a qualidade de vida e a adesão ao tratamento.

Conclusão

A doença de Peyronie é mais comum do que se imagina e tem tratamento em todas as suas fases — mas a conduta correta depende de identificar se a doença ainda está em progressão ou já estabilizou. Diante de curvatura peniana nova, dor ou dificuldade na relação sexual, buscar um urologista com experiência no tema é o passo mais importante para escolher o tratamento certo no momento certo.


FAQ – Perguntas Frequentes sobre Doença de Peyronie

Doença de Peyronie tem cura?

Não existe uma cura garantida para reverter completamente a placa fibrosa. Na fase aguda, o tratamento busca controlar sintomas; na fase crônica, tratamentos medicamentosos, mecânicos ou cirúrgicos podem reduzir a curvatura e melhorar a função, com resultados que variam por caso.

Pênis torto é sempre a doença de Peyronie?

Não. A curvatura peniana congênita está presente desde o nascimento, não causa dor e é rara (menos de 1% dos homens). A doença de Peyronie é adquirida, surge geralmente após os 40 anos e costuma vir acompanhada de dor e progressão.

Doença de Peyronie pode piorar com o tempo?

Sim, principalmente na fase aguda, quando a curvatura ainda está em progressão. Na fase crônica, a curvatura tende a se estabilizar, mas os sintomas residuais podem persistir sem tratamento.

Quando devo procurar um urologista para curvatura peniana?

Ao notar qualquer curvatura nova durante a ereção, dor peniana ou dificuldade de penetração, o ideal é procurar um urologista o quanto antes — a avaliação precoce ajuda a orientar o tratamento na fase mais adequada.

A cirurgia de Peyronie tem risco de complicação?

Sim. As técnicas cirúrgicas podem apresentar riscos como encurtamento peniano adicional, redução de sensibilidade, piora da função erétil ou recorrência da curvatura, o que reforça a importância de discutir expectativas com o urologista antes do procedimento.

Existe alguma forma de prevenir a doença de Peyronie?

Segundo a SBU-SP, a doença não tem caráter hereditário e não há uma forma comprovada de prevenção. A avaliação urológica regular a partir dos 45 anos ajuda no diagnóstico precoce.

Dr. Ari Miotto Junior, urologista em Campo Grande MS com mais de 20 anos de experiência especializado em andrologia e reprodução humana, oferece cuidados especializados em vasectomia, reversão de vasectomia, cálculo renal, problemas na próstata, disfunção erétil, reposição hormonal masculina, varicocele e saúde reprodutiva masculina sempre priorizando a recuperação rápida e o bem-estar dos pacientes. Entre em contato e agende sua consulta em nossa clínica urológica!